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5/11/2008
Confira a entrevista do mês: Dr. João Mello Júnior, Prof. Livre-Docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
1. Dr. João Mello, sabemos que nem todas as rinites são iguais. Na sua experiência, qual o tipo de rinite mais comum em nosso meio?
Rinite significa uma inflamação do tecido que recobre as cavidades nasais, caracterizada pela presença de alguns sintomas como obstrução nasal, coriza, prurido local e espirros. Existem diversas causas de rinite sendo que sua prevalência varia de acordo com a faixa etária. Excetuando-se as rinites de causas infecciosas como gripes e resfriados, nas crianças e adolescentes o quadro alérgico é o mais freqüente, ao passo que com o aumento da idade, outras causas tornam-se importantes.

2. Sabemos que o mais apropriado em rinite alérgica é falarmos em controle de sintomas e não cura dos mesmos. O que você considera mais importante na orientação de um paciente com rinite alérgica?
Como a rinite alergia é uma doença com características genéticas, costumamos dizer que “só tem alergia quem pode e não quem quer!”. Uma vez que o paciente tenha se sensibilizado ao alérgeno ele passará a ter sintomas todas as vezes que tiver contato com esta substância. A utilização dos medicamentos irá minimizar tais sintomas. Em determinadas situações, podemos utilizar as vacinas antialérgicas que reduzirão os sintomas indiretamente, pois reduzem a sensibilidade do paciente.

3. No que se refere a medicamentos, o uso prolongado de corticóides tópicos nasais é seguro?
Existem diversos corticosteróides que podem ser usados para controle dos sintomas nasais. Aqueles que são recomendados pelos consensos internacionais para aplicação tópica nasal apresentam uma ótima segurança clínica com excelente efeito sobre os sintomas. Por esta razão são considerados o “padrão ouro” de tratamento. A administração desta classe de substâncias por via oral está indicada em casos muito particulares, e mesmo assim por curto tempo. Contudo existem algumas formulações antigas de corticosteróides tópicos nasais que podem trazer problemas se utilizados por tempo prolongado.

4. Dr. João sabemos que alguns medicamentos usados para o tratamento das rinites podem induzir a sonolência. Isto é importante quando se trata crianças? E os motoristas de longo percurso?
Esta é uma ótima pergunta. Alguns antialérgicos causam sonolência, sendo este fato utilizado para classificá-los. Os anti-histamínicos clássicos ou de primeira geração são aqueles que causam sonolência. Para o tratamento da rinite alérgica, atualmente, recomenda-se a utilização de anti-histamínicos de segunda geração ou os que não geram sedação.

5. Na sua experiência, quais os fatores mais comuns que dificultam a resposta ao tratamento das rinites?
O tratamento das rinites passa pelo que se denomina higiene ambiental, pois na grande maioria das vezes os sintomas surgem quando o paciente entra em contato com algumas substâncias, quer sejam elas alergenos ou irritantes inespecíficos. Alergenos são as substâncias para as quais o organismo (do paciente alérgico) produz um anticorpo específico chamado de IgE (imunoglobulina da classe E). Em minha opinião, a principal causa da dificuldade no tratamento é a não realização desta higiene ambiental. Por isto é muito importante que o médico converse com o paciente e o oriente quanto às medidas desta higiene ambiental que devem ser adotadas para minimizar a necessidade do uso de medicamentos.

6. Dr. João, um comentário final sobre o futuro das rinites. Para onde andam as pesquisas?
As pesquisas no campo das rinites têm procurado descobrir o porquê alguns pacientes respondem bem a determinado medicamento, enquanto outros não. Isto está relacionado, provavelmente à características genéticas, sendo esta uma linha de muito relevâncias nos estudos. Além disto, a indústria farmacêutica desenvolve pesquisas com o objetivo de aumentar a eficiência clínica (controle da doença) dos medicamentos, assim como reduzir seus efeitos colaterais.
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